Palavra

Outra poesia de Nica Maria.

Palavra

Escancarada ou chupada

como cajú dado à doçura duma boca petrosa

Movediça como conhecer o que te transforma avesso

sem grande desgraceira

Caniço que te borda ao infinito

aguça o gogó

e na embocadura lingüistica somos ainda embriões

Perdão ao poeta que ousa mundo muquecar a palavra.

Nica Maria

Pilhéria no Macedo

 

 

Brincar com as crianças na rua...

Pilhéria No Macedo é um evento pra isso. E tem mais: artes, jogos, gincanas, cortejos festivos e o resgate da memória infantil em travessuras e brinquedos de rua.

Neste domingo, 27, acontece o 4º Pilhéria No Macedo realizado pelo grupo Dolores.

Venha conhecer este folguedo novinho na comunidade do Triana.

Fica na praça Macedo Braga, próximo à avenida Patrocínio Paulista e ao metrô Patriarca.

 

Luciano Carvalho

 

 

XV Casa de Dolores

O grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes orgulhosamente apresenta seu 15º Sarau. Parte dos integrantes do Dolores moram num sobrado no jardim Triana, zona leste de sampa. Esta casa de morar é também casa de trabalho e de festa. Foi lá que surgiram os saraus que receberam artistas de diversas regiões de São paulo e do Brasil. Pois bem, desta vez faremos diferente. É o 15º sarau e a primeira vez realizado fora do sobrado. Agora vamos para um casarão no alto de pinheiros, nossa segunda casa. Quem já ouviu falar vai poder conferir esta festa com atrações da leste e demais pontos da cidade. Allan Benatti, Derly Rocha, Renato Gama, Galpão Caeté, Nandão, Trópicos, Joana Flor, Nica Maria e mais um tantão de gente boa no casarão de Dolores.


Na última quinta, 24/2/2005, o coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes realizou um mutirão com seus integrantes para fazer a limpeza do galpão do CDM (Centro Desportivo Municipal) Cidade Patriarca, que estava abandonado. Foi feita limpeza e desentulhamento do local, além de instalação de nova fiação elétrica, que havia sido roubada recentemente.

 

Abandonado, o CDM tem sido usado como esconderijo por adolescentes da região, para cheirarem cola. O local virou “terra de ninguém”. Isso é especialmente preocupante quando lembramos que o CDM fica entre uma escola municipal de primeiro grau, e um posto de saúde.

 

Assim este local, que poderia ser um pólo de atrações esportivas e culturais na região, se tornou perigoso, afugentando a maior parte dos freqüentadores e  desvalorizando os imóveis em seu entorno.

 

O grupo Dolores Boca Aberta, que atua há 4 anos no bairro com espetáculos, eventos e oficinas para adolescentes, se propõe a reiniciar a ocupação do CDM Patriarca, com ensaios de seus núcleos de teatro e poesia durante quatro noites por semana. Acreditamos que o uso nocivo do espaço será minimizado se este sediar constante atividade.

 

O Dolores tomou a iniciativa, inclusive comprando fiação elétrica e material de limpeza, mas precisamos do apoio de toda a comunidade para reocupar este espaço que é público. Para que o CDM Patriarca possa voltar a funcionar em caráter de urgência, com programação esportiva e cultural, é necessário algum material de construção e de limpeza, conforme descrito abaixo.

 

- Telas de arame para 3janelas: duas de 99 por 41 cm, outra de 111 por 39,5 cm

- Telas de arame para a porta: uma de 70 por 190 cm e outra de 160 por 75 cm

- 30 parafusos com arruelas e porcas sem fenda, com comprimento de 6,5 cm, para o gradeamento

- Cadeado para porta de aço e corrente para o banheiro

- Vidraçaria e massa de vidro – Vinte vidros de 10 por 10 cm,

                                             Quatro vidros de 50 por 30 cm

                                              Sete vidros de 15 por 10 cm

                                              Dez vidros de 20 por 10 cm

- Pia e torneira

- 3 sacos de cal e fixador

- Material de limpeza: rodo, vassoura, balde, desinfetante, pano, sacos de lixo, creolina, água sanitária

10 telhas grandes de amianto

 

Por isso, pedimos apoio dos vizinhos e comerciantes locais, para esta iniciativa tão importante para o bairro. Lembramos que prefeitura, de acordo com a legislação, não tem destinação de verbas para CDMs, sendo que estes devem ser administrados por instituições do entorno.

 

Esperamos sua compreensão,

Grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes

São Paulo, 29 de fevereiro de 2005

O frescor do rio sugere a nuca
traíra belisca a mão
fixidez do gelo nas veias
respira pedra pulmão

Se o inferno pesa a cabeça
a moleira é mais forte
relaxa a guelra
que a correnteza leva o ranço

Locomotiva-pensamento
à tristeza uma xícara
erga-se tendão, uma trilha
leva a outra,
aproveita o olho d'água
e emerge ao destino livre

Harpa e libélula te adornam
a vida não finda
                     bailarina.

NICA MARIA - poeta, membro do Dolores

Programação dos próximos sábados no Espaço Cultural Dolores:

13/11 - Zulu de Arrebatá - cantor e compositor, um dos fundadores do MPA, Movimento Popular dos Artistas de São Miguel. Já "arrebatou" vários fãs numa apresentação com outros membros do MPA de um sarau Casa de Dolores.

20/11 - Garoa - banda que nasceu como núcleo musical do Dolores e depois tornou-se independente. Lançou neste ano um EP, com cinco músicas, e tem se apresentado em alguns palcos da cidade.

27/11 - Nilson Muniz - o Curupira da peça Chico Mendes e o Encantado trará sua mistura personalíssima de música, poesia e teatro, que já deixou muita gente de orelha em pé no sarau de abertura do Espaço (veja abaixo comentário)

4/12 - Joana Flor - Nossa atração importada do Rio. Jovem sambista, grande cantora, mostra suas composições, fechando a programação do Espaço Cultural Dolores neste ano. 

Duas apresentações do espetáculo Casa de Dolores nesta semana: no teatro Martins Pena, na abertura da Mostra de Teatro do Lado Leste (casa cheia) e no sábado do Espaço Cultural Dolores.

No Martins Pena, o debate posterior à peça foi uma reafirmação do propósito do grupo em fomentar a articulação entre os grupos artítsticos da zona leste de São Paulo. Estavam presentes representantes da Companhia Estável (que depois levaram vários alunos para assistir o Casa de Dolores no Espaço Cultural no sábado), da Cia. Lúdicos, e da Casa de Cultura da Penha, que questionaram o Dolores sobre sua atuação no Jardim Triana, a direção coletiva do espetáculo, entre outros temas.

Show do Naiman em 30 de outubro, lançando seu show/disco Boré. Foi a rave mais minimalista da história: 3 horas e meia de voz e violão. E ele não tocou todas as músicas do seu repertório. Ficou devendo "Recado" e "Éter" aos pedidos da platéia, que escolheu na hora a maior parte do repertório.

Teve participações do Nilton da banda Fulano de Tal, que tocou um lindo cururu de sua autoria, e do Renato Gama, que não usou do seu vozeirão para entrar na onda do Naiman - sussurou uma canção sua.

Naiman voz e violão é um "objeto sonoro" único. Ousado, não cede ao "desejo de espetáculo" dos nossos tempos: canta baixinho, dedilha o violão com suavidade, trilhando o caminho aberto por João Gilberto (e que quase ninguém segue). Poucos acontecimentos musicais podem ser tão sutis quanto "Pronominal", um blues bossanovístico, em que marca no violão apenas os tempos fortes, deixando muitos silêncios entre os acordes -  e ainda assim "mantendo teso o arco da conversa" musical, dentro do compasso binário, puxando as cordas no primeiro tempo e abafando-as quase com rispidez no segundo.

E ao mesmo tempo, é um showman ao seu modo, sempre entretendo a platéia com seus 'causos', sempre ritualístico na escolha do figurino e da cenografia, com a colaboração preciosa de sua esposa Mirlei, que por sua vez é uma "artista dos tecidos" muito especial, e tem exposto seus trabalhos do ateliê Varanda Varandinha nos sábados do Espaço Cultural Dolores.

 

 

 

Oi amigos!

Foi lindo!

Comemoramos os 4 anos de Dolores com um sarau na nossa sede, no Jardim Triana, no último sábado (23/out). Os artistas que por lá passaram e se apresentaram nos encheram de alegria. Algumas apresentações que rolaram:

- Cristiane Grando e Leo Lobos, poetas, vieram de Cerquilho para ler alguns poemas, acompanhados pelo nosso Naiman ao violão. Em breve (se eles autorizarem...) publicaremos alguns por aqui. Aliás, antes que eles proíbam, vamos publicar um trechinho dum poema da Cristiane:

"Quanto silêncio é preciso para fazer um poema?(para Artur Gomes)

O silêncio da solidão e das portas.
Da imaginação, do mundo,
do vento, das águas e dos gatos.
(...)"

- Nilson Muniz, ator que fez um excelente Curupira há pouco na peça Chico Mendes e o Encantado, veio acompanhado de banda para mostrar um empolgante mix de poesia, música e teatro. Aliás, que curioso aquele instrumento de sopro do percussionista (um apito acoplado a um cano de metal), que o deixava com jeito de escafandrista.

- Alan Benati, um dos fundadores do Dolores e que hoje anda por outras plagas, fez mais uma
apresentação de "clown-filosofia", linha que vem aprofundando (a denominação é nossa), mostrando a todos que a subversão do sistema começa pela "distribuição da ignorância". Entendeu? heheh

- Laura Rosenthal - tímida e muito talentosa, a cantora e compositora mostrou músicas suas e parcerias com Danilo Monteiro (este narrador que vos escreve), e também fez muitas caretas enquanto cantava. Aliás dizem que eu também fiz umas coisas estranhas com a língua enquanto acompanhava Laura no violão.

- Garoa - a banda adorou tocar no sarau, podemos garantir. A apresentação começou bem à vontade, com a banda improvisando enquanto o público voltava do intervalo para o segundo bloco. E o público cantou junto "Pedro e seu fuscão voador".

- Renato Gama - veterano de outros saraus, mostrou várias composições, com letras que fazem a crônica da vida na periferia, seu violão percussivo e seu vozeirão. Conversou muito com a platéia, e fez um dueto brilhante e performático com Cinthia Almeida, como em "Lá na Décima dar queixa", que musica uma briga conjugal. Sua apresentação terminou com uma grande jam, juntando-se com Garoa e Joana Flor.

O grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica trabalha com formação artística e cidadã, e eventos culturais e artísticos na comunidade do Jardim Triana, zona leste da cidade, próxima à estação Patriarca do metrô. Tem como sede a casa onde mora grande parte dos membros do grupo, na rua Mateus de Siqueira, 298.

 

Formado basicamente por atores e músicos e fundado em 1999, o Dolores tem como objetivo contribuir para a descentralização da produção e oferta de bens artísticos. Assim, o foco principal do nosso trabalho é o fazer artístico na comunidade, com a comunidade e para a comunidade.

 

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